Cuidados com a fêmea durante a fase de reprodução

A fase de reprodução é um dos momentos mais exigentes dentro de qualquer criação. Enquanto muitos criadores concentram atenção no preparo do macho, é a fêmea que carrega a maior parte da responsabilidade biológica.

Ela entra com 50% do material genético assim como o macho, mas ela quem transmite anticorpos essenciais para que o filhote cresça resistente, saudável e com maior chance de se tornar um campeão de canto ou um galador de alto desempenho.

Durante a postura, o organismo da fêmea trabalha em ritmo acelerado. A formação dos ovos exige grandes quantidades de cálcio, proteínas e energia.

Mesmo consumindo a mesma quantidade diária de alimento, suas demandas são maiores, e qualquer falha nutricional aparece rapidamente.

As reservas de cálcio são as primeiras a serem afetadas, e quando não há reposição adequada, surgem riscos como ovos com casca mole, retenção de ovo e queda geral de desempenho.

 Esse tipo de situação não é apenas perigoso para a fêmea, mas também representa prejuízo direto para o criador, já que compromete toda a temporada.

Por isso, o reforço mineral é indispensável. O grit mineral oferece cálcio e outros elementos que participam da formação óssea e da estrutura dos ovos. No entanto, apenas fornecer cálcio não resolve.

A absorção desse mineral depende de vitamina D, presente nas rações extrusadas e ativada pelo banho de sol.

A fêmea que recebe sol diário e alimentação equilibrada aproveita melhor cada nutriente e mantém a postura de forma segura, reduzindo riscos e preservando a saúde para ciclos seguintes.

Quando a fêmea entra na fase da choca, a exigência muda. Ela passa longas horas no ninho, movimenta-se menos e, naturalmente, reduz a ingestão de alimentos.

Uma dieta pobre nesse período desgasta a fêmea rapidamente e impede que ela apoie os filhotes nos primeiros dias, quando eles são completamente dependentes da alimentação que recebem dos pais.

Quando os filhotes nascem, a intensidade da demanda aumenta novamente. Agora a fêmea precisa se alimentar bem para sustentar o próprio corpo e mais dois ou três filhotes que dependem exclusivamente dela.

O criador atento coloca mais de um pote de comida na gaiola para facilitar o acesso ao alimento e evitar que a fêmea se desgaste indo e voltando do ninho.

Essa medida simples reduz estresse, previne perda de peso e melhora o desenvolvimento dos filhotes.

As rações extrusadas específicas para reprodução oferecem uma grande vantagem nesse período.

Elas já vêm formuladas com proteínas, aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais na medida certa para manter a fêmea ativa e forte, desde o período pré-reprodutivo até a fase em que os filhotes começam a comer sozinhos.

Quando os jovens atingem a fase de desmama para a alimentação sólida, a mudança gradual para a ração de adultos ajuda o organismo a se adaptar sem causar queda de imunidade ou atrasos no crescimento.

Para criadores que utilizam mistura de sementes como base da dieta, a atenção precisa ser ainda maior. As sementes, por si só, não conseguem suprir a demanda nutricional da fêmea na fase reprodutiva.

Por isso, a farinhada deve ser oferecida diariamente e em quantidade adequada. A versão úmida costuma ser mais aceita pelas fêmeas e facilita a alimentação dos filhotes, já que eles ainda não têm habilidade de quebrar sementes ou manipular grãos duros.

A introdução de alimentos frescos pode começar a partir do sétimo dia de vida dos filhotes, sempre em pedaços minúsculos, higienizados e em quantidade controlada.

Legumes e verduras trazem fibras, vitaminas naturais e diversidade alimentar, ajudando os filhotes a desenvolverem aceitação e boa digestão.

Um alimento fresco por dia é o suficiente para introduzir variedade e evitar excesso, que pode causar diarreias e desregulações.

É importante lembrar que receitas caseiras, apesar de parecerem econômicas, podem prejudicar a saúde das fêmeas e dos filhotes.

A falta de precisão nutricional pode causar carências, excesso de gordura ou desequilíbrios que se refletem em penas fracas, filhotes lentos ou reprodução irregular.

Isso vale para suplementos sem orientação. Vitaminas e minerais em excesso são tão prejudiciais quanto a falta deles, e podem levar a problemas metabólicos sérios.

Quando a dieta não está ajustada, surgem sinais claros: queda de postura, casca fraca, filhotes magros e baixa resistência. Esses sinais mostram que o organismo da fêmea está sobrecarregado.

Filhotes que crescem com uma base nutricional correta apresentam melhor desenvolvimento muscular, estrutura óssea mais firme, plumagem alinhada e capacidade respiratória mais eficiente.

Essas características aumentam suas chances de futuramente se tornarem pássaros de alto desempenho em canto ou excelentes galadores. O cuidado com a fêmea é, portanto, o primeiro passo para formar campeões.

Cada etapa da reprodução é ligada diretamente à alimentação. O criador que planeja a temporada com antecedência garante resultados consistentes, evita perdas e preserva suas fêmeas para ciclos futuros.

A preparação começa antes do acasalamento e se estende até o desmame, sempre acompanhando o comportamento, o consumo e a aceitação dos alimentos.

Para criadores que desejam segurança, previsibilidade e filhotes de alto potencial, montar um cardápio personalizado é uma das decisões mais inteligentes.

Uma consulta nutricional online oferece um plano feito sob medida, considerando espécie, rotina, objetivos e realidade do plantel.

Isso evita erros, reduz custos com suplementos desnecessários e aumenta significativamente o sucesso reprodutivo.

Com esses cuidados, sua criação avança com mais saúde, mais segurança e melhores resultados, temporada após temporada.

10 comentários em “Cuidados com a fêmea durante a fase de reprodução”

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