O grit sempre parece um item opcional, algo que muitos criadores deixam de lado por acreditar que não faz tanta diferença na rotina dos pássaros.
Porém, quando se observa de perto o resultado do manejo, percebe-se que ele influencia diretamente a digestão, o aproveitamento dos nutrientes e até o comportamento diário dos pássaros.
A função dele vai além de oferecer minerais: é um suporte mecânico essencial para que o alimento seja triturado, quebrado e transformado de forma eficiente dentro do organismo do pássaro.
Um pássaro que usa grit corretamente demonstra mais vitalidade, melhor rendimento vocal e uma saúde muito mais estável ao longo do ano.
O grit pode ser encontrado em várias formas, como areia fina, pequenos grãos, casca de ostra triturada, pedrinhas, granulações maiores e até misturas com argila.
A escolha perfeita é sempre aquela que o pássaro aceita com naturalidade, já que cada espécie e cada indivíduo podem ter preferências distintas.
Quando o grit entra no papo, ele age como pequenas dentes que auxiliam a trituração das sementes.
Esse mecanismo substitui o papel de pedras que os pássaros encontrariam na natureza, garantindo que o alimento seja quebrado de forma suficiente para que o organismo consiga absorver os nutrientes presentes em cada grão.
Junto da função mecânica, o grit também é uma fonte de minerais essenciais. A casca de ostra, por exemplo, é rica em cálcio, um nutriente que sustenta os ossos e a formação da casca dos ovos.
Outros tipos oferecem fósforo, sódio, magnésio e outros elementos que ajudam no equilíbrio metabólico.
A composição depende da origem e do processo de fabricação, e é nesse ponto que muitos criadores cometem erros graves, utilizam produtos de procedência duvidosa acreditando estarem economizando, quando na prática colocam a saúde dos pássaros em risco.
Um dos enganos mais comuns é o uso de cal comprada em lojas de construção, acreditando que é a mesma usada em produtos destinados a pássaros.
A cal de construção não é purificada, contém contaminantes, impurezas químicas e pode causar intoxicação, lesões internas no sistema digestivo e até morte.
Outro erro frequente é pegar areia de terrenos, mistura de pedriscos sem higienização ou materiais coletados na natureza, que podem conter fungos, bactérias, resíduos de fezes de outros animais e metais pesados.
O grit usado para pássaros precisa ser produzido especificamente para consumo animal. A procedência correta evita riscos e garante que o produto cumpra sua função sem comprometer a saúde do pássaro.
Quando o grit é bem selecionado, ele funciona como um aliado silencioso do metabolismo. Ele entra, ajuda no processo digestivo e depois é eliminado naturalmente pelas fezes.
Quem observa diariamente nota que, nos primeiros dias após a introdução do grit, as fezes podem ficar mais firmes. Esse é um sinal positivo, o organismo está utilizando o que precisa e descartando o excesso.
A resposta é temporária e demonstra que o manejo está funcionando de forma adequada.
O uso do grit precisa ser equilibrado. Embora seja benéfico, ele ocupa espaço no papo e, se oferecido em grande quantidade, pode reduzir o consumo de ração extrusada ou mistura de sementes.
Esse efeito leva muitos pássaros a demonstrarem um falso senso de saciedade, comendo menos do que deveriam e entrando lentamente em um quadro de emagrecimento e deficiência nutricional.
O criador muitas vezes acredita que está fazendo tudo certo, mas percebe que o pássaro perde vigor, reduz o canto e apresenta queda no desempenho.
Quando analisado com cuidado, o problema geralmente está no excesso de grit.
Por isso, a recomendação é sempre oferecer pequenas porções e observar o comportamento alimentar do pássaro ao longo dos dias.
O grit também pode atuar como ferramenta de enriquecimento ambiental. Ele estimula o comportamento natural de busca, exploração e catação.
Muitos criadores percebem que, ao espalhar pequenas quantidades no fundo da gaiola ou misturar com ervas medicinais como camomila ou erva-doce, o ambiente se torna mais dinâmico.
O pássaro passa mais tempo ativo, com comportamento mais calmo, reduzindo sinais de estresse. A camomila, por exemplo, ajuda na sensação de tranquilidade, enquanto a erva-doce pode auxiliar na digestão.
O simples ato de remexer o fundo da gaiola já representa um exercício físico leve que contribui para manutenção da musculatura e saúde geral.
Na época de reprodução, o grit ganha ainda mais importância. A fêmea precisa de cálcio extra para formar a casca dos ovos, garantindo ninhadas mais saudáveis e reduzindo riscos como ovos com a casca fina, deformados ou postura retida.
O grit pode atuar como fonte complementar, mas não como única forma de suplementação.
Após a postura, quando o gasto energético aumenta, a prioridade passa a ser alimento proteico e energético, portanto a quantidade de grit pode ser reduzida para evitar consumo excessivo.
Mesmo com tantos benefícios, o grit não substitui a alimentação principal. Ele é um recurso complementar.
A base precisa ser uma ração extrusada de qualidade ou uma mistura de sementes bem formulada, acompanhada de alimentos frescos oferecidos de maneira controlada.
O grit apenas ajuda o organismo a aproveitar melhor tudo isso. Um manejo equilibrado faz com que o pássaro tenha energia, penas mais resistentes, melhor desempenho vocal e menos oscilações de saúde ao longo do ano.
Com o tempo, muitos criadores que começam a usar grit corretamente percebem que os gastos com saúde diminuem, que o pássaro responde melhor ao manejo e que a manutenção diária fica mais fácil.
O grit, quando bem escolhido, melhora o processo digestivo, contribui para o equilíbrio mineral e ainda proporciona estímulo comportamental. O resultado é visível um pássaro mais forte, mais ativo e com maior capacidade de expressar seu potencial natural.
Por isso, o uso responsável do grit é uma das decisões que mais agregam ao manejo. Ele promove saúde, auxilia na absorção de nutrientes e fortalece o organismo em momentos importantes da vida do pássaro.
Com procedência segura e quantidade adequada, torna-se um dos elementos mais valiosos dentro da rotina de manejo.

Fenômenal. Só lembrei do ditado popular diz que passarinho que come pedra sabe o papo que tem.
Sim, isso acontece com o passarinho pois ele escolhe a pedra que irá consumir, e algumas vezes vai eliminar ela.
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